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quarta-feira, setembro 22, 2004

Paula Modersohn-Becker 1876|1907 (auto retrato) via Blog de Ver 


Renoir | JULIE MANET COM O GATO | a filha de Berth Morisot e sobrinha de Manet via Blog de Ver 

Blog de Ver: Pintura no feminino todos os dias uma nova pintora





"He still believes in free lunches..." via Jaquinzinhos 

Em Portugal, sempre que o assunto é saúde, há pelo menos um jornalista que se lembra de entrevistar um tal Dr. Manuel Delgado, Presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares. Não se imagina que hospital é que o Dr. Manuel Delgado possa administrar. Público não, porque rejeita toda e qualquer opinião, boa ou má, que venha da tutela. Privados muito menos. O Dr. Manuel Delgado odeia tudo o que seja privado e transporta sempre o fantasma do 'lucro' debaixo da língua.

Administrador ou não, o Dr. Manuel Delgado preside a uma associação de administradores. Não têm website, e nem sei se terão alguns sócios, mas o título impressiona e por isso a TSF e o Público ouvem-no sempre. Desnecessário. A opinião do Dr. Manuel Delgado é sempre a mesma: está contra. Hoje foi o Público:


"As sucessivas afirmações de Santana Lopes revelam apenas toda a sua "ignorância e impreparação sobre esta matéria", considera o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, Manuel Delgado, para quem a medida, nos moldes anunciados, "não tem pés para andar, nem constitucionalmente, nem tecnicamente, nem socialmente". "É um disparate completo, um recuo a meados do século XX", acrescenta, lembrando que nenhum país utiliza as taxas moderadoras para financiar o sistema de saúde."

Manuel Delgado nota ainda que, apesar de a percentagem do Produto Interno Bruto nacional dedicado ao sector (nove por cento) ultrapassar a média dos países da OCDE, os portugueses são "os que mais pagam do seu bolso para as despesas da saúde, cerca de 38 cento do total dos gastos".
Esta mania dos almoços grátis nunca mais acaba. Os portugueses não pagam 38% dos custos da saúde: pagam 100%. Ou ainda mais, tal é a ineficiência que suportam em alguns serviços. E pagam esses 100% da parte que sai do bolso, directa e indirectamente, e da parte que nem sequer chega a entrar.

Caro Dr. Manuel Delgado, ainda acredita em almoços grátis?

sexta-feira, setembro 17, 2004

A Beslan mother's impossible choice 

BESLAN, Russia (CNN) -- After more than 24 hours in captivity in Beslan School No. 1 with her two daughters, Anetta had to make a choice.

The hostage-takers had struck a deal with a Russian negotiator to let a small group of mothers leave the school with their infants, but any older children would have to stay.

Anetta pleaded with terrorists to leave her behind, and let her 9-year-old take 1-year-old Milena out instead.

There was to be no compromise, either she went with the infant or no one would be released.

"My bigger daughter looked at me and every time, every time I see her eyes."

Her elder daughter Alana started to cry.

"I looked at my daughter, my big daughter. 'Alana you are clever girl. You wait,' I told her."

The last time she saw Alana alive was as she left the school with a group of other mothers, many of whom had to make a similar choice.

Twenty-four-hours later, Alana was still a hostage -- sleeping, a survivor said, when one of the terrorists' bombs went off.

"When the blast went off, she must have gotten up and started running away because she had a bullet in her neck," Anetta says.

Every morning, Anetta goes to the memorial cemetery. Every morning, she seeks forgiveness.

"My darling," she says, "Mommy didn't protect you. Mommy didn't save you. I left you there. I thought all three of us would die if we stayed. Why don't you come to me in my dreams?"

Two years ago, Alana was a star of her class. She spoke to graduating students. The words she said then now have new meaning.

"This is the last time I will sing for you," she said. "I will remain in the school to live, and for you will I remain the past."

From her apartment's balcony view of the school, Anetta struggles with a decision that freed two lives, but forever made her a hostage of her choice.

quarta-feira, setembro 08, 2004

Verissimo sobre as meias de Zuenir via Gávea 

Luis Fernando Verissimo escreve esta semana sobre o projecto do governo PT/Lula em redor da disciplina sobre a imprensa (lê-se no Estadão e no O Globo) -- ver o post anterior «Imprensa»:

«Não acho totalmente ruins esses projetos para disciplinar jornalistas. Gostei principalmente da idéia de definir critérios para os trajes a serem usados no exercício da profissão. Poucas coisas afetam o funcionamento de uma redação como o comprimento das saias usadas por certas jornalistas, por exemplo. Esta é uma área em que algum tipo de padronização é obviamente necessária. Caberia ao Conselho, ou à Ordem, ou ao que quer que seja que vá nos disciplinar, estabelecer limites máximos e mínimos para as saias desde que ficasse claro não haver qualquer intenção de controlar o conteúdo. Não imagino como seria um traje adequado para cronistas. Talvez algo na linha do blazer azul, camisa aberta ao peito em tom pastel, calças cinzas e sapatos tipo mocassim. Algo, enfim, para distingui-los das categorias inferiores. Para as moças, blazers também, mas com um cachecol cuja cor variaria de acordo com o assunto de que tratam (rosa shocking para a política, verde debênture para a economia, etc.). A regulamentação dos trajes para cronistas enfrentaria alguns problemas práticos na aplicação, como o que fazer com as meias coloridas do Zuenir. Proibi-las simplesmente seria um inaceitável cerceamento da liberdade de expressão dos pés do cronista. Tornar o uso de meias coloridas iguais às do Zuenir obrigatório para todos os cronistas só aumentaria os protestos contra a escalada do autoritarismo tipo soviético neste governo. Hoje só meias como as do Zuenir para todos, amanhã só o Pravda. A solução seria um dispositivo especial da nova lei que isentasse as meias do Zuenir do artigo que trata das nossas vestes. O que se esperaria dos responsáveis pelos projetos para disciplinar jornalistas é que tivessem a sensibilidade e o bom senso de rever este item. Pelo menos este.»


LAPSOS DE MEMÓRIA via Bloguitica 

No passado dia 2 de Setembro, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou -- mais -- uma resolução sobre o Líbano. Duas breves observações.
1. O BE e o PCP -- que tanto apelam à retirada das tropas norte-americanas do Iraque -- não apelaram à retirada dos 16 mil militares sírios no Líbano. Esquecimento?
2. O BE e o PCP também não disseram nada quando, a semana passada, o Parlamento libanês (dominado pela Síria) introduziu uma alteração constitucional que irá permitir ao Presidente Émile Lahoud (uma marionete Síria) permanecer no cargo durante mais três anos. Esquecimento?
Se os EUA tivessem tropas no Líbano, teriam existido falhas de memória?
P.S. -- Uma curiosidade final: a Resolução 1559 foi patrocinada pelos EUA e... pela França! Querem lá ver que a ONU funciona e que é possível os EUA cooperarem diplomaticamente com... a França?

terça-feira, setembro 07, 2004

June 

"She had been seen rounding a certain point, she had dipped in here or there for what reason no one knew, she had done a tailspin elsewhere, she had passed like a comet, she had written letters of smoke in the sky, and so on and so forth. Everything she had done was enigmatic and exasperating, done apparently without purpose."

Henry Miller. Tropic of Capricorn.

Enquanto isto, na Alemanha... via o Acidental 



Schroeder punished in state poll

Antes que Anoiteça via Jaquinzinhos 

No Barnabé, Daniel Oliveira chama a Raúl Rivero, dissidente cubano, "Um Dos Nossos". É preciso ter lata. Fidel está no poder em Cuba desde os anos 50 e sempre perseguiu os seus adversários políticos. Fidel fuzilou na melhor das hipóteses cinco vezes mais que Pinochet.

Quinze mil mortos e dois milhões de fugitivos depois, a esquerda começa a renegar o regime de Cuba e a levantar a bandeira dos lutadores pela liberdade. Podemos sempre recorrer ao velhinho ditado "Mais Vale Tarde Que Nunca", mas a lata aqui é outra.

Não vou sugerir que esta mudança de atitude se deva simplesmente ao completo falhanço da aplicação prática das teorias que sempre defenderam. Seria uma possível base de argumentação, mas evitemos a confrontação demasiado brusca com a realidade. E até porque nutro simpatia pelos argumentos publicados por Daniel Oliveira quando ele sugere que é preciso defender a liberdade principalmente quando ela é atacada em nome do socialismo, procuremos outro caminho.

O Bloco, partido de que o Daniel é dirigente, foi atirar tomates a Le Pen com o Anacleto à cabeça. Os tomates até eram merecidos, apesar de Le Pen nunca ter assassinado ninguém (que eu saiba). Fidel veio a Portugal e o Anacleto não foi atirar tomates a Fidel.

O Bloco, com Anacleto à cabeça, exulta com a hipótese de prisão e exige todas as punições para o velho ditador chileno. O Bloco, com o Anacleto à cabeça não pede o julgamento no TPI do velho ditador cubano que além de ter assassinado muitos mais, não soube sair a tempo e condenou o seu povo à miséria. O Bloco apenas pede a medo a libertação de alguns dissidentes.

O Anacleto, na Assembleia, vituperou o 'mundo livre' que diz ter apoiado "Videla ou o Pinochet, o Noriega ou o Papa Doc, o Sukarno...". Nem uma palvrinha sobre o Papa Fidel.

O Bloco é uma organização que congrega a UDP, o PSR, a FER e a Política XXI. Estes partidos sempre defenderam políticas semelhantes às que Fidel aplicou em Cuba. Estes partidos dizem-se comunistas. Por questões de marketing e oportunismo político, o Bloco de Esquerda foge da palavra comunismo como o diabo da cruz. É compreensível, qualquer grupo com um mínimo de juízo e com objectivos de alargamento da base de apoio faria o mesmo.

O problema é que não se pode defender ao mesmo tempo o comunismo e a liberdade. Não há comunismo sem opressão. Não pode haver. O comunismo, ao não deixar espaço para a afirmação individual dos cidadãos só pode ser implementado se acompanhado pela limitação da capacidade de iniciativa. Se deixar a liberdade no ar não há comunismo porque a maior parte dos índividuos não aceitará a planificação da sua vida em nome do propalado bem comum. A prática encarregou-se de nos demonstrar que só há comunismo em ditadura.

...

Em resumo:

1. Só há comunismo em ditadura.
2. Onde há comunismo, há dissidentes, presos políticos e perseguições.
3. O Bloco é constituído por partidos comunistas.
4. O Daniel Oliveira do Barnabé é direigente do Bloco.

Conclusão:

Daniel, das duas uma. Ou defendes estas pérolas da iconoclastia de esquerda do século passado, ou dizes que um dissidente cubano é "um dos vossos". Ou então, alternativamente, tens uma grande lata.

AINDA JOÃO SOARES via Bloguitica 

Não deve haver uma única intervenção pública em que João Soares não faça referência a Pedro Santana Lopes. Acho extraordinário que ele, ou algum dos seus apoiantes, ainda não tenha percebido duas coisas:
A primeira é que, cada vez que faz referência a Santana Lopes, relembra diariamente a todos os militantes socialistas que teve uma derrota desnecessária. Dito de outro modo, a sua derrota foi inadmissível, inaceitável e da sua exclusiva responsabilidade.
Em segundo lugar, as suas referências quase obsessivas a Santana Lopes, em todas as suas intervenções públicas, fazem com que pareça que se candidata apenas por razões pessoais e que têm que ver com o seu desejo de se vingar.
Eis um candidato que passa diariamente uma mensagem pouco estimulante e auto-destrutiva, não é?

DETECTOR DE SPIN via Bloguitica 

O primeiro-ministro português vai ao Brasil, na sequência de um «convite original». Mais. «Santana Lopes será o único governante estrangeiro a presenciar ao lado de Lula o desfile militar que abre as comemorações em Brasília» ("Santana Estreia-se no Estrangeiro ao Lado de Lula da Silva", Manuel Carvalho, Público, 6 de Setembro de 2004, p. 9).
Independentemente do carácter único da visita e da originalidade do convite (que não têm qualquer relevância), o que me interessa é a substância da visita propriamente dita. E, no domínio da substância, a verdade é que não há nada de original e único para evidenciar.
1. Na audiência entre Lula da Silva e Santana Lopes «não há temas pré-estabelecidos». Esta é uma forma simpática de dizer que não existe uma agenda política para debater. Por outras palavras, Santana Lopes vai ao Brasil, mas não tem nada para discutir...
2. Para tornar esta visita ainda mais desnecessária, ficamos a saber que «ao contrário das visitas anteriores de membros do Governo, não consta nenhuma iniciativa na área da diplomacia económica nem estão previstos contactos entre empresários dos dois países». Eis um parágrafo que não necesita de comentários adicionais...
3. Restam, assim, umas «iniciativas culturais» que, se bem percebo, algumas delas deveriam ter lugar em Portugal, envolver o Presidente da República e não Santana Lopes.
Em suma, esta visita desnecessária não ocorreria se não fosse a necessidade de Santana Lopes de construir uma imagem pessoal de estadista.
Muito claramente, spin in action...

Foi há 5 anos (II) via Casa em Construção 

Nos jornais e noticiários portugueses de ontem, apenas uma referência ao 5º aniversário do referendo que daria a independência a Timor Leste.

Assassínios, torturas, violações, deportações em massa: os crimes repetiram-se na primeira quinzena de Setembro de 1999 até à entrada da força multinacional. Mas já tudo era diferente. Desta vez, a comunidade internacional não ficaria em silêncio, alheada. Afinal, essas eram apenas as dores de parto de uma nação. Albano Matos (DN)

Hoje o DN repete a dose e o Público escreve também sobre o assunto.

Algumas referências internacionais: The Australian, Hindustan Times, ABC News.

Nota de Rodapé: Parece que por aqui, em Timor-Leste, também as instituições se esqueceram desta data...

AI SIM? NÃO ME DIGAS... via Blogue dos Marretas 

António Barreto assina hoje no Público a segunda parte de um artigo intitulado "A esquerda enganou-se". Um título destes dava para uma série de artigos diários a la EPC até meados de 2014.

(ver artigo)

segunda-feira, setembro 06, 2004

Stunned with grief in Independent 

Beslan begins to say its goodbyes
By Andrew Osborn
06 September 2004


The little girl's face was waxy, her mouth covered with a simple strip of bloodstained, white fabric and her coffin full of red roses and Barbie dolls.

A relative held up a framed picture of what she looked like in life; a smiling 11-year-old in her school uniform, a blue dress and a white polo neck.

As Alina Felixovna Khubetseva was lowered into the ground, her mother and relatives began to wail and a four-piece band played the funeral march under a grey, rain-filled sky.

"My daughter, my poor daughter," her mother sobbed, shaking her head towards the heavens as she wrapped her trembling arms around a female relative for comfort.

Three days earlier, Alina had been one of hundreds of frightened school children held captive inside the school's gym.

It is not known exactly how she died but it is thought that she perished when terrorists detonated mines that brought the hall's ceiling crashing down on up to 500 children below.

In a sprawling field on the outskirts of Beslan, surrounded by grazing cows and fog-wrapped hills, this small southern Russian town that nobody had heard of until last Wednesday buried some of its dead yesterday.

Mechanical diggers gouged out graves that stretched for as far as the eye could see. Officials said the death toll from last Friday's bloodbath had risen to at least 338. With 260 people still missing, the fear is that the final toll will be much higher. Many of the 428 in hospital remained in a serious condition and scores of people still had no idea whether their loved ones were alive or dead.

Black and white photographs of some of the missing were posted outside the town's cultural centre, asking anyone who knew anything to phone the children's desperate parents.

The scale of the funerals deprived the dead of some of the dignity they were due. Separated by only a few metres, the services were conducted simultaneously with four or five bodies being lowered into the ground at any given moment.

Piles of dark brown earth and red bricks littered the field in preparation for hundreds more funerals as mourners bade a final farewell to School Number 1's pupils. The intense heat of the past few days meant that many of the bodies had decomposed and, although they had been treated with chemicals, the smell of rotting flesh was unmistakable, forcing many of the mourners to press handkerchiefs to their noses.

The coffins varied; some were white, some brown, most draped with lace or fabric but almost all of them carried the corpses of children.

Sick of being in the glare of the world's media, many of the mourners lashed out at watching journalists. "Don't film for God's sake. We've been through enough," said one man.

A lust for vengeance mingled with sorrow. "I promise you that I will take my revenge upon those who murdered you," a bearded man in black said aloud, throwing a small cellophane packet of earth into the grave of Timur Tsallagov, 35.

Elaborate floral wreaths were placed on the hastily prepared graves; "To my favourite Alinochka," read one.

Caucasian men wearing the region's oversized traditional flat caps filed past graves tossing handfuls of earth into the darkened holes while others waited until the graves had been filled in before pressing their palms into the soft earth while saying a prayer.

The headstones were simple, hewn from pine; some of the inscriptions were written in ballpoint pen.

Khasbi, a grave digger, said: "More than 300 people will be buried here when we're finished. My own children are safe but I've never seen anything like this." Earlier, traditional wakes were held in people's homes with neighbours going from door to door to pay their last respects, listen to funeral speeches and mourn.

People were then bused to the cemetery, though some walked the last stretch carrying the wooden markers at the head of eerie processions along long, straight, tree-lined avenues.

One girl in a black bandana had to be helped after she lost her balance beside a relative's grave, overcome by grief.

A boy called David wandered among the freshly dug graves carrying a picture of his cousin, Alan, 15, who was shot in the back as he ran from the school.

A few metres away, an enormous double grave covered with dozens of red and white roses had been dug for two sisters; Alina and Ira Tetova, 12 and 13. The sound of grief filled the air.

The paroxysm of violence left few families untouched in this tight-knit, mostly industrial town, whose population of 30,000 belies a village atmosphere in which many leave their doors unlocked. Most people in Beslan had a relative, friend or neighbour killed or wounded.

"The grief is for all of our people," said Anzor Kudziyev, a volunteer grave digger. "When a person goes to the cemetery for a burial, it's sad, but nothing like this ­ when you dig graves for your children," he added.

Many of the relatives confronted their demons by visiting the school where their loved ones perished, which was opened to the public for the first time. People knew that what had happened inside the red-brick building was awful but what they found exceeded their worst fears.

A child's table in the school playground was particularly grim. Set up, apparently, as a warning of what would happen to anyone who tried something similar, it contained a bloodstained, charred jacket worn by one of the hostage-takers, a terrorist's jawbone ­ complete with one tooth ­ a scrap of beard and a selection of mortar shells, spent cartridges, gunmen's fingerless gloves and boxes of chocolates which the children had brought to celebrate the start of the new school year.

The stench of decayed flesh was unbearable as locals gawped. Pointing to a tangled, bloodsoaked mess of white lace curtains, a soldier said: "That is what a female suicide bomber blew herself up in." Another exhibit was simply labelled "fighter number three".

Inside the gymnasium, where many of the children had been kept, the scene was bleak. Black mulch clung to the hall's wooden floorboards while children's shoes lined the bombed-out window sills.

The basketball hoops over which the terrorists had strung mines remained intact but not much else. The roof was almost completely destroyed, the gym bars blackened by explosives and the walls peppered with hundreds of bullet holes. A makeshift shrine had been erected in the centre of the hall.

Traditional Russian Orthodox icons sat beside bottles of water and packets of biscuits; a poignant reminder that the hostage-takers refused to accept food or drink for their captives.

One boy broke down in the hall, fell to his knees and started sobbing uncontrollably as he clutched a radiator while small candles flickered in the afternoon gloom.

The walls of almost every classroom were covered with bullet holes and bloodstains were smeared on many walls showing where people had been executed or the terrorists themselves had been finished off.

All of the victims' bodies had been removed but some of the human remains of the terrorists had been left behind, deliberately.

A teenage boy played with the scalp of one in a wrecked classroom, picking it up with a cut of wood as his friends laughed in horror; the hairline was evident for all to see.

On the light blue, bullet-riddled wall behind him, the Russian alphabet glared down beside multiplication tables. Half of the door to the school's chemistry laboratory was covered in blood and the thick, ugly wallpaper in the staff room was punctured with too many bullet holes to count.

Children's paraphernalia was everywhere; exercise books, textbooks, paint sets and name tags thrown on the ground in a hurry and now surrounded by dripping water pipes, rubble and the smell of death.

A shattered globe sat on the window sill in one classroom; in another room, the corner looked like someone had been executed there. The wall behind was pocked with at least 30 different gunshots of different calibres. It was smeared with blood and a bloody curtain lay on the ground.

The school's library was a mess. Books and cupboards were piled against the windows to afford the terrorists more cover and a carefully crafted hole in the ground appeared to be the place where the hostage-takers had hidden their weapons weeks before they had struck. In one classroom the stench of urine was overwhelming.

Two girls wandered through the corridors, breaking down as they peered into each classroom. The scene before them defied all understanding. Several of the onlookers had felt the need to get drunk before they could stomach it.

Others tried to look forward. Slava, a friend of Alina Khubetseva, said: "The story of what happened here must be told objectively or else it will happen again. Perhaps another outrage is being planned as we speak. Beslan is just a drop in the ocean. We need to stop this. There will be revenge."

THE DEAD AND INJURED

338 confirmed dead (half children; the rest teachers, parents and relatives)

At least 540 people wounded

428 being treated in local hospitals; some more serious cases were sent to hospitals in Moscow

260 people still missing

A list of some of the dead, posted yesterday:

Anjela Kusova, 14; Kristina Farnieva, 14; Stella Khuzmieva, 17; Inga Gugkaeva, 24; Alana Katsanova, 15; Oksana Kokova, 15; Madina Sozanova, 11; Agunda Buzkova, 10; Valeria Budaeva, 3; Boris Guriev, 14; Vera Gurieva, 12; Sergey Zaporojets, 12; Aleksei Tsomartov, 8; Timur Kozyrev, 9; Inga Tsinoeva, 14; Irina Berezova, 9; Alina Galaeva, 15; Boris Bedoev, 52; Igor Zamesov, 12; Svetlana Kantemirovna, 28; Artur Kisiev, 32; Ruslan Gappoev, 34; Albert Adyrkhov, 3; Kazbek Buchezov, 9; Yulia Rudik, 14; Gagik Grigorian, 30; Olga Esanova, 27; Alena Tatrova, 27; Zalina Urmanova, 6; Georgy Khudalov, 10; Sabina Dzakhova, 12; Elvira Bolotaeva, 13; Sergey Alkaev, 15; Alan Betrozov, 16; Dzerassa Bazrova, 14; Svetlana Ailyarova, 6; Emma Khaeva, 12.

domingo, setembro 05, 2004

A partir de ontem, vale tudo via al(maria)do 



Foto: Reuters

Não é verdade que o Mundo hoje esteja mais seguro. Não é verdade que hoje existam menos atentados terroristas que no passado. Não é verdade que estejamos a salvo de um dia ser à nossa parte. Não é verdade que isto esteja para terminar. Não é verdade que o 11 de Setembro ou o 11 de Março se mantenham isolados como casos paradigmáticos da barbárie terrorista. Mas é verdade que tudo seria igual ou pelo menos parecido, se as coisas tivessem corrido de outra forma.

O fundamentalismo islâmico tem motivações que vão muito além da questão palestiniana. São regras básicas de legitimação de uma doença que salpica o Mundo de sangue, escolhendo de forma premeditada os alvos a abater.

Tal como o regime cubano se sente legitimado pelo facto dos EUA manterem o embargo económico, o fundamentalismo islâmico necessita de ter permanentemente um inimigo ou um pretexto que sirva de rumo às suas pretensões de fanatismo religioso. Esse inimigo é todo ou quase todo o mundo ocidental ou aqueles que não professam o seu credo.

Na Tchetchénia existem problemas políticos de relacionamento com Moscovo que o diálogo ainda não foi capaz de resolver. Imagino que existam culpas de parte a parte, tal como existe no conflito israelo-palestiniana. No entanto, nenhuma causa por mais nobre que seja e por maior razão que lhe assista, justifica a perda de tantas vidas, nomeadamente de crianças. Os miúdos que morreram não faziam ideia que existia política, políticos, conflitos armados, divergências religiosas ou de outra natureza qualquer. Os miúdos que morreram naquela escola só queriam viver, crescer, brincar e estudar.

Por tudo isto o que aconteceu ontem em Belsan é um dos momentos mais marcantes da irracionalidade dos homens que não para de ceifar vidas inocentes.

Agora analisa-se o problema com douta sapiência e alguns sectores nem hesitam em culpar Putin pelo sucedido. Até parece que foi ele que sequestrou a escola com 1500 pessoas lá dentro, entre elas muitas crianças.

Curioso também é verificar que mais uma vez quem se martiriza são as figuras de quarta ou quinta linha. É extraordinário verificar que os terroristas suicidas nunca são os líderes espirituais que incitam este tipo de intervenções. O próprio Arafat vive dizendo que um dia gostaria de ter o privilégio de ser um mártir da jihad. Alguém acredita nisto?

Mas há uma coisa em que podemos acreditar. A partir de ontem vale tudo na escalada do terrorismo no Mundo. Se foram capazes de sequestrar uma escola e matar crianças é porque estão dispostos a tudo. A partir de ontem, já nada me estranha.

A BOTA E A PERDIGOTA via Blogue dos Marretas 

As dirigentes da Women On Waves têm dito repetidamente que não pretendem violar a lei portuguesa e que o navio só atracaria na Figueira da Foz para que os workshops se realizassem no seu interior.
Uma activista portuguesa – que ouvi agora mesmo na SIC - insiste na urgência de uma resposta para as 70 mulheres desesperadas que têm contactado a organização.
E pergunto eu: mas estão desesperadas porquê? Precisam do certificado do workshop para alguma promoção?

sábado, setembro 04, 2004

Malditos Incêndios via Jaquinzinhos 

Notícia na TSF:

Ataques a dois autocarros causam 15 mortos - Um autocarro israelita explodiu e um segundo incendiou-se, esta terça-feira, em Beersheva, sul de Israel, causando menos 84 feridos e 15 mortos, de acordo com o último balanço.

Tremendo azar. Um explodiu e o outro incendiou-se.

As notícias são sempre diferentes noutras alturas: Exército Israelita Mata Sete Palestinianos.

Uns morrem queimados. Outros são assassinados.

(IN)TOLERÂNCIA II via Blogue dos Marretas 

China: estrangeiros com Sida têm entrada proibida
Espera-se agora que Louçãs, Odetes Santos e quejandos recriminem este acto com a mesma veemência com que criticam os que são contra o aborto.

Submissão via João Pereira Coutinho 

DESCONHEÇO o destino de dois jornalistas franceses raptados pelos lunáticos do costume. Mas as reacções ao caso chegam e sobram para perceber a profunda diferença que reina na luta contra o terrorismo entre a França e o resto. Em Paris, Chirac surgiu publicamente para lembrar ao mundo a posição francesa na guerra do Iraque - e, por arrastamento, sublinhar a diferença fulcral entre o Eliseu e a Casa Branca. Percebe-se: os americanos desprezam os árabes e, implicitamente, são responsáveis pelas múltiplas malfeitorias que o terrorismo islâmico comete. Os franceses, não: os franceses desprezam Washington, desprezam o imperialismo de Bush e jamais marchariam para o Iraque, dispostos a demolir uma ditadura corrupta. Não admira que Dominique de Villepin, ministro do Interior, tenha andado a rezar pelas mesquitas da capital - a França é um estado laico mas, naturalmente, a laicidade tem alturas e tem limites. Como não admira que, para o grosso do mundo árabe, a França seja um parceiro útil na luta contra o Ocidente; e a vida dos franceses, incomparavelmente mais valiosa do que a existência dispensável de um americano dispensável. Ou israelita. Ou italiano. Ou português. Arafat foi mais longe e declarou: poupem a vida desses homens porque eles apoiam a causa palestiniana. E se não apoiassem? Nem vale a pena responder. Numa semana em que o terrorismo islâmico voltou a mostrar as garras - em Israel, no Iraque, na Rússia - a França escolheu o caminho errado. Um caminho de submissão que pode comprar tréguas temporárias. A prazo, não comprará sossego nem respeito.

sexta-feira, agosto 20, 2004

E em Cuba? via al(maria)do 

Não foste lá?
Fiz trabalho político em todas as ditaduras latino-americanas…
Francisco Louçã – Grande Reportagem 14/08/2004

Marés vivas via o Acidental 

Na Visão de hoje, na página de citações "Em Foco", Maria Barroso declara estar "um pouco au-dessus de la marée, como dizem os franceses" - numa tradução literal, a senhora considera estar acima da maré. Na capa da mesma edição, o marido Mário Soares escreve o texto "Lutar contra a maré". Com tanta imagem marítima, só falta saber onde estará João Soares.
Em maré baixa?

Cotonetes! via Jaquinzinhos 

Quem me arranja Cotonetes?
Ainda agora mesmo imaginei ter ouvido alguém dizer que o Correio da Manhã não presta declarações sobre o caso das cassetes por causa do... segredo de justiça! Eheheh! Era quase como o 24 Horas mudar as capas por questões de ética. Ou a TSF dar uma notícia sem ouvir logo de seguida o senhor do sindicato, da Quercus ou do Bloco de Esquerda. Impossibilidades.

Depois pareceu-me ouvir um dirigente de um dos PSs (pareceu-me ser do PS de Sócrates) criticar o governo por causa do... crescimento da despesa pública! E (não vale rir...) pareceu-me que o tal senhor do PS disse "é preciso rigor e verdade nas contas do Estado". Ehehehe!!! As coisas que eu penso que ouço... Esta era como o Jaime Pacheco criticar a agressividade dos adversários... Ai os meus ouvidos, que estão a filtrar mal os decibéis.

Por fim ouvi José Romão dizer que a selecção olímpica de Portugal estava a realizar um bom jogo, que o adversário tinha grandes dificuldades, os nossos jogadores demonstraram sempre vontade de vencer, os atletas demonstraram carácter. Fiquei muito contente por saber que Portugal tinha tido sucesso. É que os meus ouvidos tinham-me traído quando ouvi o resultado do jogo e fiquei a pensar que Portugal tinha perdido...

É um problema de cotonetes. Quem me arranja cotonetes?

Novo recorde fora de laboratório 

Uma equipa de investigadores austríacos do Instituto de Física Experimental de Viena obteve um novo recorde de teletransporte de «fotões cruzados» fora do laboratório. Carlos Fiolhais considerou a experiência «fantástica».

Os cientistas Instituto de Física Experimental de Viena conseguiram transportar informação quântica por cabos de fibra de vidro de 800 metros de comprimento, cruzando transversalmente um canal do rio Danúbio e cobrindo uma distância em 600 metros.

A experiência, realizada sob a orientação do professor catedrático Anton Zeilinger, já tinha chamado a atenção do universo científico antes da sua realização, descrita agora na prestigiada revista científica britânica «Nature».

De acordo com Zeilinger, a experiência baseia-se no fenómeno dos «fotões cruzados» descrito pelo Nobel Albert Einstein como «efeito fantasmagórico à distância».

Trata-se de um efeito de mecânica quântica que não é comparável com nenhum fenómeno do mundo de dimensões correntes, visto que os dois fotões emparelhados, enviados em direcções opostas, permanecem ligados entre si.

Ao transferirem o estado quântico exacto de uma partícula para outra, os cientistas terão dado um novo passo para o teletransporte de matéria.

Por se tratar de um terreno totalmente novo, os cientistas têm ainda de sondar os seus limites. Além disso, não se sabe se algum dia será possível transportar objectos desta forma.

Experiência «é fantástica»

O professor catedrático da Universidade de Coimbra, Carlos Fiolhais, explicou à TSF que a experiência de Anton Zeilinger (seu conhecido) é «fantástica», até porque Einstein «não acreditava» nela, pois era uma «coisa impossível, mas às vezes os grandes sábios também se enganam».

Carlos Fiolhais acrescentou que se calhar as experiências feitas por Anton Zeilinger lhe «vão valer um prémio Nobel».

O cientista luso explicou a experiência do seu colega austríaco e disse que ainda se «está longe» de um cenário ao estilo da série «Star Trek», mas adiantou que «o princípio já aqui está, pois não se faz (o teletransporte) com matéria mas sim com luz».


quinta-feira, agosto 19, 2004

Sobrevivente de atentado Bagdad relembra descontentamento Vieira de Mello 

Genebra, 19 Ago (Lusa) - Um sobrevivente do atentado de há um ano contra a sede da ONU em Bagdad recordou hoje o período antes do ataque, salientando o descontentamento que Sérgio Vieira de Mello sentia relativamente à política adoptada para o Iraque.

Num artigo de opinião na edição de hoje do "The Guardian", Salim Lone, então director de comunicações para a missão da ONU no Iraque, considera que o diplomata brasileiro, morto com 21 outras pessoas no atentado, estava na altura a começar "a quebrar o protocolo" do silêncio.

"Desencorajado e tenso", Sérgio Vieira de Mello tinha admitido dias antes do ataque que a população iraquiana "se sentia humilhada pela ocupação", questionando um jornalista brasileiro sobre como se sentiria se visse tanques nas ruas do Rio de Janeiro.

E foi, ironicamente, uma acção de Sérgio Vieira de Mello que salvou a vida ao articulista que recorda que no dia do bombardeamento o diplomata tinha decidido emitir um comunicado criticando a morte do operador de imagem da Reuters, Mazen Dana, por soldados americanos, quando este filmava um incidente na já famosa cadeia de Abu Ghraib.

"Foi esse comunicado que me salvou a vida. O Sérgio pediu-me para acrescentar informação adicional sobre mortes ilegais, o que me levou a perder o encontro das quatro da tarde que foi o alvo do ataque", relembra.

"Seis dos sete participantes nesse encontro foram mortos e o sétimo perdeu ambas as pernas e um braço", acrescenta.

Considerando que mesmo antes do atentado a missão da ONU no Iraque se tinha já tornado "periférica", no contexto do que estava a acontecer no país - "o centro da guerra contra o terrorismo e entre os extremos de duas civilizações" - Lone admitiu que o atentado acabou por não surpreender.

"Na verdade os chefes de comunicação da ONU no Iraque tinham-se reunido nessa mesma manhã para analisar um plano que combatesse a crescente impressão, entre os iraquianos, de que a nossa missão era simplesmente um complemente da ocupação dos Estados Unidos", escreve.

Identificando Vieira de Mello "o negociador mais brilhante do mundo em crises de pós-conflito", o antigo funcionário do diplomata brasileiro escreve que o relacionamento do representante máximo de Kofi Annan com o representante de Washinton Paul Bremer se "tinha vindo a esfriar progressivamente".

"Além de descontentamento sobre as tácticas de ocupação, o Sérgio tinha-se já distanciado de Bremer sobre questões fundamentais como a necessidade da afirmação eleitoral de um texto constitucional e a detenção e condições de detenção de milhares de pessoas na cadeia de Abu Ghraib", escreve ainda.

O ponto baixo, recorda, ocorreu quando os Estados Unidos bloquearam uma missão completa da ONU no país, apesar de Vieira de Mello ter continuado a tentar capitalizar na "ambiguidade construtiva" da resolução "terrível" que o Conselho de Segurança tinha adoptado para o Iraque pós-guerra.

Uma resolução, afirma, que "enviou funcionários da ONU para o caldeirão do Iraque, sem lhes dar o nível mínimo de independência ou autoridade. Foi esta resolução que significou a morte da ONU no Iraque", escreve.

Para Salim Lone, o atentado constitui um momento crucial na história da ONU, tanto pelo ataque como pela ausência "de críticas duras ao ataque dos iraquianos, árabes ou muçulmanos".

"Este quase silêncio demonstrou a profundidade a que a posição da organização já tinha caído no Médio Oriente, um resultado da sua incapacidade para conter ou condenar os excessos militaristas norte-americanos", sugere.

Para Salim Lone, os estados membros e o Secretário- Geral da ONU devem admitir que a erosão desta legitimidade é hoje o maior desafio da organização.

"Não conseguirão melhorar as coisas se os Estados Unidos não reconhecerem, igualmente, que necessitam, no seu próprio interesse, de demonstrar maior respeito pela ONU", conclui.

Kofi Annan preside hoje, em Genebra, a várias cerimónias em honra das 22 vítimas e sobreviventes do atentado de há um ano na capital iraquiana, decorrendo idênticos eventos em Omã e Nova Iorque.

ASP.

Lusa/Fim


Gilda Vieira de Mello quer justiça, um ano depois da morte do filho  

Por António Sampaio, da Agência Lusa Genebra, 19 Ago (Lusa) - Um ano depois do atentado contra a sede da ONU em Bagdad que vitimou o seu filho Sérgio e outras 21 pessoas, Gilda Vieira de Mello, mãe do diplomata brasileiro, continua à procura de respostas e explicações para o que aconteceu.

Em Genebra para participar nas cerimónias de homenagem que assinalam o primeiro aniversário do atentado - presididas pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan - a mãe de Sérgio Vieira de Mello acusa a ONU de continuar sem clarificar pormenores da sua morte.

"Só quero justiça e que se saiba a verdade. Não para mim, mas pelo meu filho", disse numa conversa com um pequeno grupo de jornalistas, entre eles da Agência Lusa.

Ao lado de Gilda Vieira de Mello, e a acompanhá-la na primeira visita a Genebra desde a morte do filho está Carolina Larriera, companheira de Sérgio Vieira de Mello desde 2002 - conheceram-se em Timor-Leste - e que sobreviveu ao atentado de 19 de Agosto último - estava duas salas ao lado do gabinete do representante da ONU.

Nem Gilda Vieira de Mello - que entrou num avião pela primeira em 17 anos para vir a Genebra - nem Carolina Larriera, que a ONU não reconhece oficialmente como companheira de Vieira de Mello (formalmente era casado) - foram ainda à campa do diplomata, no cemitério de Plainpalais, em Genebra.

"Queremos ver se antes de regressarmos ao Brasil teremos coragem para o fazer", explica Larriera.

Para a mãe do diplomata esse é outro dos pontos de crítica, acusando a ONU de não ter respeitado os desejos de Vieira de Mello que "disse ser brasileiro e querer ser enterrado onde nasceu", não em Genebra, onde trabalhou grande parte da sua vida.

"É um longo percurso de um ano. Em que chegámos aqui depois de lidar com o que aconteceu. Será o primeiro encontro das famílias das vítimas e dos sobreviventes e isso é muito importante no processo de lidar com o que aconteceu", explica a argentina que conheceu Vieira de Mello enquanto o diplomata brasileiro chefiava a missão da ONU em Timor-Leste.

"É a primeira vez que me sinto com suficiente força para tentar lidar com o que aconteceu", disse.

Gilda Vieira de Mello mostra-se especialmente descontente com aspectos precisos da morte de Vieira de Mello, referindo que o diplomata era "contra a invasão do Iraque", foi colocado no terreno "sem a segurança necessária" e foi alvo de um atentado "que ainda hoje não está totalmente esclarecido".

Depois de sucessivos apelos sem resposta, Gilda Vieira de Mello decidiu, em Abril, fazer avançar com um processo contra as Nações Unidas, exigindo que a organização apresente uma certidão de óbito "preenchida como deve ser".

Até agora, diz Gilda Vieira de Mello, a ONU apenas produziu dois documentos, "cada um deles com mais erros que o outro", que não são aceites pela burocracia brasileira e assim impedem o registo formal do óbito e os restantes procedimentos necessários.

"O certificado não tinha a filiação, a naturalidade e, num deles, até diziam que era americano. O documento dizia que ele tinha morrido devido a uma explosão. Mas isso não é exactamente a causa da morte. Quero um documento condigno e de valor jurídico", frisou Gilda Vieira de Mello.

"Não me conformo com isto", sublinha. Questionada sobre o que dirá a Kofi ANnan, com quem se encontra hoje em Genebra - numa reunião do secretário-geral com familiares das vítimas e sobreviventes é ainda mais crítica: "não espero dizer nada. Nem ouvir muito. Só mais mentiras".

Para muitos, a cerimónia que assinala o aniversário, quinta- feira em Genebra, não deverá apagar quer a falta de investigações detalhadas sobre o que aconteceu quer algumas das reparações morais que sobreviventes acusam a ONU de ainda não ter feito.

Talvez por isso Gilda Vieira de Mello e Carolina Larriera insistam na necessidade de um inquérito detalhado e urgente sobre o que aconteceu, sobre a segurança ou falta dela na missão em Bagdade e sobre todos os pormenores antes e imediatamente depois do atentado.

Por saber continuam exactamente quais foram as responsabilidades no capítulo da segurança, quem foi o autor do atentado - a ONU ainda não comentou notícias recentes de um vídeo que alegadamente identifica o suicida - ou, crucial para o futuro, que lições a organização tirou do que aconteceu.

O resultado imediato, visível também em Genebra, é o reforço evidente na segurança em torno do gigantesco complexo das Nações Unidas na cidade e, segundo fontes da organização, uma revisão dos túneis de emergência que alegadamente existem sob a estrutura.

Mesmo neste capítulo, contudo, a própria ONU mostra muito menos preocupação do que a missão norte-americana, a algumas centenas de metros, que continua em verdadeiro estado de sítio com duas fileiras de arame farpado, barreiras de cimento e vedações elevadas.

"A minha vida mudou muito depois disto. Perdi a minha religião, a minha fé", afirma, emocionada Gilda Vieira de Mello.

Para Carolina Larriera é importante que o papel de Vieira de Mello e das restantes vítimas que "seguiram os seus ideais e o acompanharam em Bagdade" não seja menosprezado, garantindo que "como mártires pela paz", possam pelo menos servir como lição futura.

"Penso que o Sérgio quereria isso. Pelo menos justiça pelas vítimas. E que se aprendesse com o que aconteceu", explica.

"Todos eles foram mártires e a melhor maneira de os honrar é saber o que aconteceu, todos os detalhes, não querer passar uma esponja por tudo e simplesmente virar a página", sustenta.

E como nota final admite algum rancor pela forma como a organização para quem ainda trabalha, as Nações Unidas, evitou reconhecer o seu relacionamento com Sérgio Vieira de Mello.

"Recebi uma nota de condolência, pessoal, manuscrita, de Tony Blair. Mas não recebi nenhuma de Kofi Anna, o meu patrão", afirmou.

"Não importa que leis se aplicam, se do Brasil ou da Suíça. O que importa é ponderar os aspectos morais. Temos que honrar as 22 vítimas porque acreditavam no ideal da ONU", sublinha.

Familiares das vítimas e sobreviventes do atentado à sede da ONU estão em Genebra para as cerimónias do primeiro aniversário do ataque, marcadas, entre outros eventos por um concerto de Gilberto Gil, o ministro da Cultura brasileiro.

O tributo do ministro da Cultura brasileiro visa ainda promover "reconciliação entre os povos" incluindo ainda uma interpretação do tema da iniciativa "Diálogo entre as Civilizações", feira por especialistas de Capoeira, da América Latina, Ásia, África e Europa.

Annan deverá discursar em Genebra e inaugurar uma placa comemorativa na mesma altura em que, em Nova Iorque, a número dois da ONU, Louise Frechette e, em Bagdade, o coordenador humanitário, Richard Mountain, lideram eventos idênticos.

Ainda prevista está uma missa na Igreja de S. Paulo onde foi o funeral do Sérgio Vieira de Mello, pedida por Annie Vieira de Mello, viúva do diplomata brasileiro.

ASP.

Lusa/Fim

ONU deve ter papel central na estratégia contra terrorismo 

Díli, 19 Ago (Lusa) - As Nações Unidas devem ter um "papel central na articulação de uma estratégia global de combate ao terrorismo", defendeu hoje em Díli o primeiro-ministro de Timor-Leste, Mari Alkatiri.

O chefe de governo timorense, que falou na cerimónia organizada pelas Nações Unidas que assinalou em Díli a passagem do primeiro aniversário da morte de Sérgio Vieira de Mello, apelou à cooperação internacional de todos os países para combater o terrorismo.

Na cerimónia, realizada na Uma Fukun (Casa da Cultura), compareceram membros do Parlamento Nacional, do governo e do Corpo Diplomático, além de representantes dos vários organismos das Nações Unidos e convidados, entre os quais o comandante das Forças de Defesa de Timor-Leste, general Taur Matan Ruak.

Antes de Mari Alkatiri, o representante especial do secretário- geral da ONU, Sukehiro Hasegawa, leu uma mensagem de Kofi Annan alusiva ao acto.

No final, depois de colocar uma coroa de flores junto da árvore situada no pátio interior da Uma Fukun - acompanhado de Mari Alkatiri e de Xanana Gusmão -, Hasegawa pediu que fosse observado um minuto de silêncio em memória de Sérgio Vieira de Mello e das restantes 21 vítimas do atentado terrorista de 19 de Agosto de 2003, em Bagdad.

Numa intervenção que não estava prevista, o presidente Xanana Gusmão justificou o atraso da sua chegada ao local com o desconhecimento da realização da cerimónia, anúncio que provocou a estupefacção dos presentes.

Falando em português e em inglês, Xanana Gusmão destacou ainda as mortes de civis e militares ao serviço das Nações Unidas em Timor- Leste.

No final, em declarações à Lusa, Xanana Gusmão lamentou o atraso de 20 minutos a que submeteu os restantes convidados, atribuindo a responsabilidade do sucedido ao seu gabinete.

"Infelizmente temos tantas coisas dentro da Presidência e quando cheguei ninguém me disse nada. Ninguém me avisou e ninguém tratou de dizer aos meus guardas. Foi um erro e tive que pedir desculpas por chegar 20 minutos mais tarde", disse.

A Lusa contactou Agio Pereira, chefe de gabinete de Xanana Gusmão, que salientou não pretender comentar as declarações do chefe de Estado.

"Não pretendo fazer comentários. O presidente tem trabalhado até tarde", acrescentou Agio Pereira, recordando que Xanana Gusmão tem estado a preparar o encontro de sábado, envolvendo várias organizações que reclamam a representatividade dos antigos combatentes.

Antes desta cerimónia organizada pelas Nações Unidas, o primeiro- ministro Mari Alkatiri presidiu a outro acto em memória de Sérgio Vieira de Mello, frente ao Palácio do Governo, a que se juntaram os membros do executivo e funcionários que trabalham no local.

Sérgio Vieira de Mello liderou a missão da ONU em Timor-Leste até à restauração da independência, em 20 de Maio de 2002.

EL.

Lusa/Fim



sábado, agosto 14, 2004

«Dança dos comissários» agrada a todos  

Durão Barroso anunciou de surpresa a distribuição de pelouros na Comissão Europeia e as suas escolhas foram muito elogiadas

JACQUES COLLET/EPA

UM «MESTRE da táctica» que encontrou um «sábio equilíbrio» entre os diversos interesses em jogo - assim se refere a imprensa internacional às escolhas de José Manuel Durão Barroso para a composição da Comissão Europeia, anunciadas na quinta-feira, em Bruxelas.

O ex-primeiro-ministro português começou por surpreender pelo momento da comunicação, uma semana antes do previsto. Depois, ao revelar a sua lista, fez uma distribuição de pastas que, nas primeiras reacções, não levantou quaisquer polémicas nas capitais europeias. No que era considerado um primeiro teste às suas capacidades, Barroso teve a avaliação de «independente», a avaliar pelos comentários dos «media».

Como era esperado, a grandes países foram dados alguns dos principais pelouros. A Alemanha tem a pasta da Indústria e Empresas, mas sem uma amplitude de poderes que Berlim reclamava para o seu representante (o chamado «supercomissário» dos Assuntos Económicos). Mas outras das pastas económicas mais cobiçadas estão agora nas mãos de Estados médios, caso da Holanda (Concorrência) e Irlanda (Mercado Interno). Comissários de perfil claramente liberal e adeptos da economia de mercado.

Por cima da distribuição dos pelouros entre os vários comissários, o organigrama do Executivo de Bruxelas mostra que o Presidente não perde poderes (contrariamente a um cenário esboçado no final do mandato de Romano Prodi). A ideia - apresentada como uma forma de optimizar o funcionamento de um órgão que passa a ter 25 membros - consistia na formação de «clusters», em que um comissário ficaria responsável por outros comissários. Foi claro que Barroso não permitirá uma diluição do seu papel: «Todos os comissários terão poderes iguais. Não haverá comissários de primeira ou de segunda classe. As decisões serão tomadas colectivamente e sob a minha liderança. Não quero criar núcleos que decidam por toda a Comissão», disse na conferência de imprensa. No entanto, anunciou que de modo casuístico serão criados «grupos informais de comissários». Ainda quanto à sua arrumação interna, a Comissão passa a ter cinco vice-presidentes, em vez de dois na actualidade. Três «vices» vão para os grandes (Alemanha, França e Itália) e um para um pequeno, e recém-chegado, país: a Estónia. A outra vice-presidência é atribuída à Suécia, cuja comissária, Margot Wallstroem, passa na prática a ser o nº 2, pois será ela a substituir Barroso nas ausências deste. A sua importância decorre igualmente de lhe ser atribuído o novel pelouro da estratégia da comunicação e das relações institucionais.

Barroso elencou as prioridades da Comissão: «Dinamizar a economia europeia e o crescimento, melhorar a comunicação e dar à Europa o lugar que lhe corresponde na cena internacional». A primeira tarefa será fazer as reformas económicas necessárias para cumprir os objectivos da Estratégia de Lisboa, que pretende fazer da União Europeia o bloco mais competitivo do mundo em 2010. Barroso coordenará pessoalmente o grupo de comissários encarregados dessa missão. O novo Executivo deverá receber «luz verde» do Parlamento Europeu em Outubro e entra em funções no dia 1 de Novembro.

Composição da Comissão Europeia

Eis a composição e distribuição de pelouros da Comissão Europeia:

JOSÉ MANUEL DURÃO BARROSO
Portugal. Presidente.

GUENTHER VERHEUGEN
Alemanha. Vice-presidente. Empresas e indústria.

SIIM KALLAS
Estónia. Vice-presidente. Assuntos administrativos, auditoria e combate à fraude.

JACQUES BARROT
França. Vice-presidente. Transportes.

ROCCO BUTTIGLIONE
Itália. Vice-presidente. Justiça, liberdade e segurança.

MARGOT WALLSTROEM
Suécia. Vice-presidente. Relações institucionais e estratégia de comunicação.

BENITA FERRERO-WALDNER
Áustria. Relações externas e política de vizinhança europeia.

LOUIS MICHEL
Bélgica. Desenvolvimento e ajuda humanitária.

MARKOS KYPRIANOU
Chipre. Saúde e protecção dos consumidores.

MARIANN FISCHER BOEL
Dinamarca. Agricultura e desenvolvimento rural.

JOAQUIN ALMUNIA
Espanha. Assuntos económicos e monetários.

DALIA GRYBAUSKAITE
Lituânia. Programação financeira e orçamento.

OLLI REHN
Finlândia. Alargamento.

PETER MANDELSON
Grã-Bretanha. Comércio.

STRAVROS DIMAS
Grécia. Ambiente.

LASZLO KOVACS
Hungria. Energia.

CHARLIE MCCREEVY
Irlanda. Mercado interno e serviços.

INGRIDA UDRE
Letónia. Impostos e união aduaneira.

JOE BORG
Malta. Pescas e assuntos marítimos.

VIVIANE REDING
Luxemburgo. Sociedade da informação e «media».

NEELIE KROES
Holanda. Concorrência.

DANUTA HUEBNER
Polónia. Política regional.

VLADIMIR SPIDLA
República Checa. Emprego, assuntos sociais e igualdade de oportunidades.

JAN FIGEL
Eslováquia. Educação, formação e cultura e multilinguismo.

JANEZ POTOCNIK
Eslovénia. Ciência e investigação.


Europa elogia táctica de Durão  

A DISTRIBUIÇÃO de pelouros pelos comissários europeus, anunciada de surpresa na quinta-feira por Durão Barroso, mereceu um coro de reacções positivas de governos europeus e da imprensa internacional.

Um «mestre da táctica» que encontrou um «sábio equilíbrio» entre os diversos interesses em jogo - assim é avaliado Barroso. Para o «Financial Times», o ex-primeiro-ministro português foi «astuto» e mostrou-se «independente» na atribuição das pastas, naquele que era considerado um teste à sua afirmação política.

A opinião sobre as escolhas está bem salientada na edição alemã do «FT»: «Barroso conseguiu a proeza de satisfazer os desejos de todos, sem perder a autoridade. Saiu-se muito bem deste primeiro trabalho delicado. Distribuiu as 24 pastas de modo que ninguém se considerasse preterido ou esquecido. Mas também ninguém se pode considerar o vencedor».

Por outro lado, Barroso não aceitou uma diluição dos poderes do presidente da Comissão, cenário que vinha a ser esboçado nos últimos tempos. «Não quero criar núcleos que decidam por toda a Comissão. As decisões serão tomadas colectivamente e sob a minha liderança», disse.

Também o Governo português elogia a acção do ex-primeiro-ministro. Em declarações ao EXPRESSO, o embaixador António Monteiro sublinha «o trabalho magnífico de Durão Barroso na constituição da sua equipa», distribuindo os pelouros «de acordo com as competências dos comissários» e não com base em eventuais pressões. O MNE refere ainda a capacidade «para perceber as grandes prioridades da Europa pós-alargamento».

Díli e Camberra "vão alcançar acordo justo e equitativo" - MNE  

Díli, 11 Ago (Lusa) - O chefe da diplomacia timorense disse hoje à Lusa que Timor-Leste e a Austrália vão alcançar nas negociações para a demarcação da fronteira marítima comum "um acordo justo e equitativo" que "deverá ser assinado antes do Natal".

Em entrevista telefónica a partir de Díli, José Ramos Horta destacou que as conversações que manteve hoje em Camberra com o seu homólogo australiano, Alexander Downer, "decorreram em ambiente bastante amigável e resultaram num entendimento altamente frutuoso".

"Nas próximas semanas vamos continuar a trabalhar intensamente para amadurecer o entendimento hoje alcançado", com o propósito de se chegar a um acordo que, defende Ramos Horta, "deverá envolver, do lado timorense, o presidente (Xanana Gusmão), o primeiro-ministro (Mari Alkatiri) e o presidente do Parlamento Nacional (Francisco Guterres "Lu- Olo").

Para avançar na via hoje encetada em Camberra, Ramos Horta indicou que delegações técnicas dos dois países vão reunir-se "nas próximas semanas e cumprirão a segunda ronda de negociações marcada para 20 de Setembro", na capital australiana.

O chefe da diplomacia timorense realçou o "sentido de estado e o pragmatismo" das autoridades dos dois países, salientando o conceito "solução criativa" desenvolvido anteriormente pelo primeiro-ministro, Mari Alkatiri, para desbloquear o impasse resultante da primeira ronda negocial, realizada em Abril, em Díli.

"Pegando nesta ideia - +solução criativa+ - os dois lados vão tentar tornear os obstáculos de natureza jurídica, nomeadamente o princípio australiano de considerar a sua plataforma continental como referência para a fronteira marítima, e o de Timor-Leste, que passa pela fixação de uma linha intermédia", explicou.

"Trata-se, à partida, de duas posições quase diametralmente opostas", acentuou.

Ramos Horta vincou a necessidade de um "acordo global" que seja justo e equitativo e que garanta "uma melhor partilha dos recursos do Mar de Timor", avaliados em milhares de milhões de dólares.

Questionado sobre a mudança de posição de Camberra, que insistia na realização de rondas negociais numa base semestral, Ramos Horta reconheceu que os progressos hoje alcançados "vêm ao encontro do interesse de Timor-Leste em não deixar arrastar" o processo de fixação da fronteira marítima comum.

"Temos de chegar a um acordo justo e equitativo que o governo timorense possa levar ao Parlamento Nacional e seja aceite pelo povo timorense", acrescentou.

"Obviamente, antes de partir, falei com o presidente Xanana Gusmão, a quem disse que o meu mandato nas conversações de hoje era não entrar em detalhes e o chefe de Estado deu todo o aval", salientou.

José Ramos Horta viajou terça-feira para Camberra, a pedido do seu homólogo australiano, acompanhado do secretário de Estado dos Recursos Minerais e Política Energética, José Teixeira, e do secretário-geral do seu ministério, Nelson Santos.

Em causa neste processo negocial está a demarcação da fronteira marítima comum, com reflexos nos milhares de milhões de dólares que valem as riquíssimas jazidas de petróleo e de gás natural existentes no Mar de Timor.

Os dois países assinaram em Maio de 2002 um acordo provisório que mantém o traçado fronteiriço estabelecido em 1989 e que prevê uma zona de desenvolvimento petrolífero conjunta (JPDA, no acrónimo em inglês), de cerca de 30 mil quilómetros quadrados.

Esse tratado estabelece que 90 por cento das receitas resultantes da exploração na JPDA caibam a Timor-Leste, enquanto que a Austrália receberia os restantes 10 por cento.

Com esse compromisso, já ratificado pelas duas câmaras australianas e que os parlamentares e governo timorenses tinham anunciado não pretender validar nos termos actuais, 80 por cento da zona conhecida como "Greater Sunrise", considerada o depósito de petróleo e gás natural mais importante em termos económicos, pertencem à Austrália e os restantes 20 por cento à área conjunta de exploração.



Fundação Oriente investe no Makota (Hotel Timor) 

Fundação Oriente investe no Makota.

O velho Makota, em Díli, rebaptizado Hotel Timor em 2001

A FUNDAÇÃO Oriente vai investir mais 400 mil dólares na hotelaria em Timor-Leste. Depois de um primeiro investimento de USD seis milhões na recuperação do antigo Hotel Makota (rebaptizado Hotel Timor em 2001), a fundação de Carlos Monjardino vai ampliar as instalações e não esconde o interesse em investir em «resorts» fora de Díli e na possibilidade de criar um casino na capital timorense.

O dinheiro a aplicar na construção de uma piscina, corte de ténis, um pequeno ginásio e áreas de lazer será por inteiro retirado dos lucros gerados pelo próprio Hotel Timor, o mais cara de Díli com uma taxa de ocupação que oscila entre os 50% e os 70%. A mão-de-obra local é barata, apesar de muito precária em conhecimentos básicos de hotelaria, e apenas três dos 75 empregados do Hotel Timor não são timorenses.

Os clientes são na sua maioria quadros da ONU, homens de negócios, técnicos de agências internacionais, delegações de embaixadas, representantes de bancos internacionais. Clientes que durante o dia estão ocupados em reuniões e que deixam muitas vezes as mulheres no hotel. É a pensar nelas que a Fundação Oriente quer expandir o hotel para poder tirar contrapartidas também de outros serviços que poderá prestar.

Com um volume de negócios da ordem dos 200 mil dólares/ mês, o Hotel Timor quer provar com a sua «gestão ao segundo», como afirma o director Tiago Barata, que é uma das maiores empresas do país.

«Somos um dos maiores contribuintes em Díli. O hotel sozinho paga por mês 25 mil dólares de electricidade ao Estado, o que dá para pagar todo o consumo do resto da cidade, sendo ao mesmo tempo uma das maiores e melhores entidades empregadoras do país. Pagamos 13 meses aos empregados, mais as refeições diárias e as horas extraordinárias. O que aqui é muito raro acontecer», afirma Tiago Barata.

O retorno total desde novo investimento é esperado para daqui a cinco ou seis anos, sempre sem se recorrer a dinheiros oriundos da casa-mãe em Portugal. As obras estarão concluídas este Verão e espera-se que no próximo ano as novas ofertas do Hotel Timor já estejam a funcionar em pleno. Por explorar fica ainda uma área de 500m2, onde poderá operar um casino.

Fundação Oriente quer casino em Timor

A FUNDAÇÃO Oriente está a estudar a possibilidade de construir um casino em Díli e alguns «resorts» fora da capital timorense, na sequência dos investimentos hoteleiros que a organização liderada por Carlos Monjardino está a realizar em Timor-Leste.

Depois de um primeiro investimento de seis milhões de dólares na recuperação total do antigo Hotel Makota - Hotel Timor desde a independência -, a Fundação anunciou que vai investir este ano mais 400 mil dólares na construção de uma piscina, «court» de ténis, um pequeno ginásio e áreas de lazer junto a esta unidade hoteleira, que é actualmente o principal centro de negócios de Díli. O retorno total do investimento é esperado para daqui a cinco ou seis anos, sempre sem recorrer a dinheiros oriundos da casa-mãe em Portugal.


ALGUÉM CONSEGUE... via Bloguitica 

..explicar ao Daniel Oliveira a contradição?
O cemitério do Vale da Paz é um lugar santo para os xiitas. Os xiitas podem utilizá-lo como base para atacar os norte-americanos, mas estes não podem ripostar e atacar os xiitas no cemitério.
Ao ponto a que chega a cegueira ideológica!

Opiniões Influenciadas pelo Interesse  

"A maior parte das coisas pode ser considerada sob pontos de vista muito diferentes: interesse geral ou interesse particular, principalmente. A nossa atenção, naturalmente concentrada sob o aspecto que nos é proveitoso, impede que vejamos os outros. O interesse possui, como a paixão, o poder de transformar em verdade aquilo em que lhe é útil acreditar. Ele é, pois, freqüentemente, mais útil do que a razão, mesmo em questões em que esta deveria ser, aparentemente, o guia único. Em economia política, por exemplo, as convicções são de tal modo inspiradas pelo interesse pessoal que se pode, em geral, saber préviamente, conforme a profissão de um indivíduo, se ele é partidário ou não do livre câmbio.
As variações de opinião obedecem, naturalmente, às variações do interesse. Em matéria política, o interesse pessoal constitui o principal factor. Um indivíduo que, em certo momento, energicamente combateu o imposto sobre a renda, com a mesma energia o defenderá mais, se conta ser ministro. Os socialistas enriquecidos acabam, em geral, conservadores, e os descontentes de um partido qualquer se transformam facilmente em socialistas.

O interesse, sob todas as suas formas, não é somente gerador de opiniões. Aguçado por necessidades muito intensas, ele enfraquece logo a moralidade. O magistrado ávido de promoção, o cirurgião em presença de uma operação inútil porém frutuosa, o advogado que enriquecerá com complicações de processo que ele poderia evitar, terão rapidamente a moral muito abalada se imperiosas necessidades de luxo lhes estimularem o interesse. Essas necessidades podem constituir, nas naturezas superiores, um elemento de actividade e de progresso, mas nas naturezas medíocres determinam, pelo contrário, uma acentuada degenerescência moral.
O interesse moral é freqüentemente um factor de opiniões tão poderoso quanto o interesse material. O amor-próprio ferido, por exemplo, provoca ódios intensos e todas as opiniões que dai decorrem. O ódio dos burgueses da Revolução contra a nobreza e as suas sanguinárias vinganças provinham sobretudo de humilhações outrora sofridas. Marat vingava-se da sua antiga situação social; Hébert, libelista do Père Duchesne, que causou tantas mortes, foi, ao começo, um realista ardente. Se tivessem vivido bastante de modo a ocupar lugares ou a ter títulos na época do Império, eles teriam-se, sem dúvida, tornado, como tantos dos seus êmulos, conservadores fervorosos."

Gustave Le Bon